quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sintomas de uma crise de pânico são parecidos aos de um infarto; entenda

Na crise, paciente pode ter falta de ar, transpiração e aceleração cardíaca

Sentir medo sem motivo e repentinamente pode ser um sinal de síndrome do pânico, um transtorno mental de ansiedade que causa ataques repentinos de temor em situações cotidianas, como durante o sono, por exemplo. Durante uma crise, a pessoa pode ter ainda sintomas parecidos aos de um infarto, como falta de ar, coração acelerado e transpiração excessiva, como explicaram a cardiologista Roberta Saretta e o psiquiatra Daniel Barros.

Caso esses sintomas apareçam pela primeira vez, o paciente deve ir imediatamente a um hospital para avaliar se é um infarto, especialmente se ele tiver fatores de risco como diabetes, histórico familiar de doenças cardiovasculares, fumo, hipertensão, má alimentação e sedentarismo. Nesse caso, os sintomas podem se prolongar para dor no peito, no braço esquerdo, costas, mandíbula e estômago.

Por outro lado, se ele já teve os sintomas várias vezes ao longo da vida, já foi ao médico e não foi diagnosticado nenhum problema de coração, pode ser que o problema seja a síndrome do pânico, como explicou o psiquiatra Daniel Barros. Nesse caso, é importante que seja feito um acompanhamento conjunto com o psiquiatra e também o cardiologista.

Em alguns casos, o pânico pode ter origem familiar ou relação com histórias de vida, mas pode ser também desencadeado por fatos estressantes, como vestibular, falecimento ou casamento, como lembrou o psiquiatra. O transtorno é mais comum em mulheres e na fase adulta; algumas pessoas, inclusive, podem ter uma crise uma única vez e nunca mais ou podem sofrer várias cronicamente.

Para evitar que o estresse acumule, a dica é tirar 10 minutos do dia para pensar em uma única imagem e nada mais, como um desenho simples de uma árvore ou uma paisagem, por exemplo - essa técnica ajuda a "limpar" a mente do excesso de preocupações que podem levar a uma crise de pânico. Durante a crise, porém, isso não adianta muito; o ideal é fazer o tratamento contínuo do transtorno com um psicólogo, psiquiatra e, em alguns casos, medicamentos.

Segundo a cardiologista Roberta Saretta, também existem remédios que ajudam a reduzir o risco de infarto, como os de pressão alta, os anticoagulantes e as estatinas (para o colesterol). Nesse último caso, o medicamento diminui a quantidade de colesterol na corrente sanguínea e evita que se formem placas de gorduras na artéria. Porém, as estatinas não eliminam as placas que já existem, apenas reduzem a inflamação que elas causam, abrindo maior espaço para o fluxo de sangue.

É importante ainda que, para reduzir o risco de infarto e também da síndrome do pânico, o paciente seja o mais ativo que puder e faça exercício físico regularmente.

Isso porque, além de reduzir o estresse, ao se exercitar, o músculo cardíaco se fortalece e produz novas redes de circulação do sangue, criando caminhos alternativos caso a pessoa tenha um ataque cardíaco.

O psiquiatra Daniel Barros falou também sobre a diferença entre uma simples timidez e a fobia social, outro problema que pode atrapalhar muito o dia a dia. Algumas pessoas, por exemplo, têm medo de falar com outras porque sentem que estão sendo observadas - isso pode ser uma doença, a fobia social, que causa um medo inconsciente que acelera o coração e a respiração. Mesmo sabendo que nada grave vai acontecer ao falar com alguém, o medo de dar algo errado é frequente nesses pacientes. De acordo com o psiquiatra, o tratamento é feito com remédios e psicoterapia para que a pessoa perca o medo de se expor aos poucos e volte a se relacionar socialmente, o que faz muito bem à saúde

Estudo diz que demência já atinge 44 milhões de pessoas no mundo

Até 2050, 135 milhões de pessoas apresentarão sintomas de demência.
Dados foram divulgados em relatório internacional.

O número de pessoas com demência no mundo aumentou em 22% nos últimos três anos, e já atinge 44 milhões de pessoas, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (5).
Segundo o relatório da Alzheimer Disease International, esta quantidade deve triplicar até 2050, quando 135 milhões de pessoas podem apresentar demência no planeta, sendo 16 milhões na Europa Ocidental.
"É uma epidemia mundial, e só vai piorar. Se olharmos para o futuro, veremos que o número de pessoas idosas vai aumentar de forma significativa", declarou Marc Wortmann, diretor executivo da Alzheimer Disease International.
"É essencial que a Organização Mundial de Saúde faça da demência uma prioridade para que o mundo se prepare para enfrentar esta situação".
Na próxima semana será realizada, em Londres, uma reunião do G8 sobre a demência, qualificada pelo ministério da Saúde britânico como um 'desafio mundial crescente'.
"A reunião do G8 da próxima semana será uma oportunidade única para realizar progressos reais muito mais rapidamente e redobrar os esforços para encontrar tratamentos eficazes".

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/12/estudo-diz-que-demencia-ja-atinge-44-milhoes-de-pessoas-no-mundo.html

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ser 'um pouco psicopata' no trabalho melhora desempenho, diz psicólogo

Em livro, britânico Kevin Dutton diz que adotar alguns traços típicos de serial killers pode trazer benefícios no ambiente profissional.


Para muitos de nós, psicopatas são seres perigosos que, armados com facas, deveriam passar o resto de seus dias atrás das grades.
O especialista em psicologia experimental da Universidade de Oxford Kevin Dutton pensa diferente. Para ele, ao contrário do que reza o imaginário popular, podemos aprender -- e muito -- com eles.
"É verdade que, quando psicólogos como eu usam a palavra 'psicopata', imagens de serial killers como Ted Bundy (que estuprou e matou mais de 30 meninas e mulheres nos Estados Unidos nos anos 70) logo vêm à mente de todo mundo", diz Dutton.
No entanto, ele argumenta que todo mundo pode se beneficiar ao ser mais implacável, destemido, autoconfiante, focado, frio, charmoso ou carismático, traços que podem ser exacerbados em psicopatas.
Para Dutton, nenhuma dessas características é um problema por si só. O perigo, acrescenta ele, ocorre quando "todos esses traços ficam muito pronunciados, gerando disfunções".
"Não estou glamourizando a figura do psicopata", destaca Dutton, "porque essas pessoas acabaram com a vida de muitas outras".
Em seu novo livro, intitulado The Wisdom of Psychopats ("A Sabedoria dos Psicopatas"), ele diz que a adoção de algumas das características dos psicopatas podem nos ajudam a melhorar o nosso desempenho no trabalho.
Psicopatas, por exemplo, tendem a não adiar tarefas ou mesmo levar os problemas profissionais para o campo pessoal, "além de não exigirem tanto de si mesmo quando as coisas dão errado", afirma Dutton.
"Se alguém quer um aumento de salário, é normal ficar um pouco ansioso para pedi-lo. Em outras palavras: O que pode acontecer comigo se meu pleito não for aceito ou o que meu chefe vai pensar de mim?"
"Bem, tenha fé em seu potencial e vá adiante. Não se apegue aos seus defeitos, apenas às suas virtudes."
"Ao fazer isso, você se torna mais confiante, e tem mais chances de conseguir o que quer."
Carreira
Até a falta de empatia com os outros -- comum entre alguns psicopatas -- pode ser útil em algumas profissões.

"Imagine que você tenha a capacidade para ser um bom cirurgião -- mas não consegue se desvencilhar emocionalmente da pessoa que você está operando", disse Dutton.
"Um cirurgião me disse certa vez que quando o médico começa a ver o paciente como um parente próximo ou um amigo, está andando numa espécie de 'corda-bamba' emocional".
"Os vitoriosos -- ou os mais predispostos ao sucesso -- serão aqueles que conseguem estabelecer uma distância sentimental dos seus pacientes".
Pessoas com essas características são mais adaptadas para trabalhar especialmente em cargos de chefia ou de muita importância, como CEOs, advogados ou até jornalistas.
Políticos também costumam revelam alguns traços marcantes de psicopatas.
"Políticos de sucesso precisam não ter remorso ao implementar políticas impopulares, muitas vezes, em desacordo com alguns setores da sociedade", disse Dutton.
"Se você pensar dessa forma, o político de maior sucesso é alguém que sabe dizer o que a população está pensando".
"Eles são brilhantes em se embrenhar no imaginário coletivo, são como assaltantes psicopatas".
Outro lado
No entanto, outros psicólogos estimam que a psicopatia atinja apenas 1% da população total e descrevem a visão de Dutton como "muito generalista".

"É errado descrever essas pessoas como psicopatas -- isso é uma definição clínica", disse à BBC o professor Cary Cooper, da Lancaster University Management School.
"Eles não vão matar ninguém -- mas indiretamente podem causar perigo às pessoas porque são tão focados no seu próprio sucesso e, ao mesmo tempo, totalmente abstraídos das necessidades dos outros".
"Trata-se, na prática, de um estilo de gerenciamento 'abrasivo', uma espécie de bullying".
Sem escrúpulos
Especialistas alertam que, embora a preocupação consigo mesmo em detrimento com os colegas possa trazer ganhos de curto prazo, tal comportamento pode criar problemas para as empresas no futuro.

"Normalmente essas pessoas têm um desempenho excelente, mas a equipe sofre muito", disse Jonny Gifford, especialista do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD).
É importante perceber que sempre haverá pessoas que "queiram puxar o tapete" das outras dentro das organizações, disse ele. Do ponto de vista da companhia, acrescenta Gifford, o segredo é saber controlar esse tipo de comportamento, de forma que tais funcionários não coloquem em risco o ambiente de trabalho com suas ações.
Porém, para Dutton, às vezes a crueldade e a falta de compaixão é justamente o que um chefe precisa ter para controlar uma grande empresa.
"Imagine se você detém as competências financeiras e estratégias para um cargo de chefia, mas carece de crueldade suficiente para demitir funcionários que não sejam pró-ativos, ou não possui a frieza necessária para atravessar um período de maus resultados, você nunca vai chegar a nenhum posto de comando, ou vai?"
Mas para aqueles que acreditam que possam ter um chefe sem tendências psicopatas, o especialista dá um conselho.
"Se o seu chefe costuma pisar nos subordinados ou usa todos os meios possíveis para impressionar quem está acima dele, é hora de buscar um novo emprego."

Dificuldade de aprendizado pode ser algum transtorno do cérebro

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade atrapalha as crianças.
Dislexia afeta a leitura; é importante fazer o diagnóstico certo para tratar.


Ir mal na escola ou ter dificuldades de aprendizado não significa que uma criança não goste de estudar. A falta de concentração nos estudos pode ter origem dentro do cérebro, na comunicação entre os neurônios.
Essa dificuldade de concentração é um problema catalogado na medicina e tem nome: transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A boa notícia é que esse transtorno tem tratamento, basta tomar o remédio em dia.
Os dois problemas têm em comum a origem neurológica, um mau funcionamento dos circuitos cerebrais. Além disso, tanto um quanto o outro, se não forem tratadas, podem levar à ansiedade e à depressão.
Porém, os distúrbios têm muitas diferenças. Enquanto o TDAH prejudica de maneira ampla a vida dos portadores, que não conseguem ter foco nas atividades rotineiras, a dislexia é somente um transtorno de aprendizado, em que a pessoa não consegue ligar os sons às letras.
O TDAH pode ser diagnosticado a partir dos três anos e se manifesta de várias maneiras ao longo da infância. A criança não consegue se concentrar em nada, nem mesmo na hora de sentar para assistir a um desenho animado – é diferente de um menino agitado que, quando quer, fecha o foco em uma atividade específica.
Um estudo recente mostrou que o diagnóstico do TDAH ainda precisa ser mais bem feito. De 500 pessoas que tinham recebido diagnóstico de TDAH, apenas 23% preenchiam critérios rigorosos para serem consideradas portadoras. Por outro lado, das crianças que deveriam ter sido diagnosticadas, 58,4% nunca tinham sido identificadas como portadoras do transtorno.
O remédio usado para controlar o TDAH é uma substância chamada metilfenidato. É considerado seguro e eficaz, mesmo nas crianças, mas é de tarja preta -- ou seja, sua venda é controlada. O medicamento deve ser usado continuamente pelo resto da vida; ele controla o transtorno, mas não cura.
Já a dislexia tem uma situação diferente. O diagnóstico costuma vir um pouco mais tarde, quando a criança entra na fase de alfabetização. Ela não tem remédio, mas pode ser eliminada com um treinamento específico. Esse tratamento dura entre dois e cinco anos e consegue ensinar o paciente a relacionar formas e sons da maneira correta, remediando o problema. Contudo, os especialistas consideram que a dislexia não tem uma cura, e que este tratamento ensina a conviver com o problema e superar suas limitações.
Assim como o TDAH, a dislexia também tem um diagnóstico difícil. Nos dois casos, é muito importante descartar problemas visuais, auditivos, lesões cerebrais e doenças psiquiátricas, como a ansiedade, antes de afirmar que a criança tem o transtorno e iniciar o tratamento.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mastigar pouco e comer rápido são hábitos que prejudicam a digestão


Engolir a comida muito rápido pode também sobrecarregar o estômago.
Partir mais os alimentos e repousar os talheres ajudam a comer melhor.


Mastigar os alimentos parece uma ação inofensiva, mas não é. A mastigação é extremamente importante na digestão, que começa sempre pela boca.
Por isso, hábitos como mastigar pouco, comer muito rápido, falar enquanto come ou até mesmo beber algum líquido durante a refeição podem prejudicar esse processo.
Quanto mais mastigado o alimento, mais enzimas digestivas grudam em sua superfície e a digestão fica mais fácil e rápida; por outro lado, se a mastigação for rápida e o alimento for logo engolido, as enzimas perdem a função e o estômago fica sobrecarregado porque recebe o alimento quase inteiro. A má mastigação causa riscos também para a absorção dos nutrientes já que o organismo elimina o alimento que não foi bem mastigado sem absorver substâncias que podem ser importantes para a saúde.
Além disso, quando a pessoa come rápido e mastiga pouco, ela sente ainda mais vontade de comer porque o cérebro não tem tempo de perceber que já está satisfeito.
Partir o alimento em pedaços menores e comer devagar ajuda a aumentar a saciedade - a dica é repousar os talheres entre uma garfada e outra e colocar na boca pedaços que tenham a metade do tamanho da língua, para caber dentro da boca sem problemas.
Caso a pessoa coloque pedaços grandes na boca, ela pode sentir vontade de beber algum líquido para "empurrar" o alimento para baixo. Em relação a esse hábito, o cirurgião Fábio Atui explicou que isso pode levar a pessoa a querer mastigar menos já que a bebida facilita que a comida seja engolida. No caso de bebidas gaseificadas, como refrigerante, água com gás e cerveja, há o risco também de aumentar a capacidade gástrica do organismo.
O hábito de beber durante as refeições pode também aumentar o valor calórico da dieta. A dica, para não atrapalhar a digestão, é ingerir no máximo 200 ml de água sem gás durante a refeição.
Isso porque as outras bebidas tem muitas calorias. Por exemplo, uma lata de refrigerante normal tem 135 calorias, mais do que um copo de suco de abacaxi com açúcar, por exemplo, que tem 60 calorias. No entanto, se a opção for a bebida alcoólica, o valor aumenta ainda mais – um chope tem 180 calorias, a capirinha com adoçante tem 140 calorias e a lata de cerveja tem 150 calorias.






















Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/04/mastigar-pouco-e-comer-rapido-sao-habitos-que-prejudicam-digestao.html

Isolamento social aumenta risco de morte entre idosos, diz estudo


Cientistas ingleses acompanharam 6.500 homens e mulheres por oito anos.
Afastar-se fisicamente das pessoas é mais negativo que se sentir sozinho.


O isolamento social tem um impacto maior sobre a expectativa de vida dos idosos que a solidão, aponta um novo estudo feito pelo University College de Londres. Isso significa que se afastar fisicamente dos outros é pior para a saúde do que, de fato, se sentir sozinho.
Na definição dos pesquisadores, a solidão personifica o isolamento, ao refletir a insatisfação de uma pessoa com a frequência e a proximidade de seus contatos sociais em relação às relações que ela realmente gostaria de ter.
Os resultados do trabalho, liderado por Andrew Steptoe, do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública do University College, foram publicados na edição de segunda-feira (25/03/2013) da revista científica americana "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).
Os autores avaliaram 6.500 homens e mulheres com 52 anos ou mais que participaram do Estudo Longitudinal de Envelhecimento Inglês (Elsa), entre 2004 e 2005, e acompanharam o risco de morte deles até março de 2012. Nessa data, haviam morrido 918 (14,1%) voluntários, com prevalência do sexo masculino.
Os participantes que mantinham contato limitado com a família, amigos e organizações comunitárias foram classificados como socialmente isolados, e foi usado um questionário para medir o nível de afastamento de cada um.
De acordo com os pesquisadores, tanto a solidão quanto o isolamento social podem favorecer uma morte precoce, mas no segundo caso nem precisaram ser considerados critérios como a saúde física e mental da pessoa e dados demográficos (expectativa de vida, educação, religião, etnia, etc) da população. Isso significa que se isolar do restante do mundo pode fazer mal à saúde independentemente do sentimento interno de solidão.
Além de aumentar o risco de morte, o isolamento social pode contribuir para o desenvolvimento de doenças infecciosas e cardiovasculares, o aumento da pressão arterial e do hormônio do estresse (cortisol), e a deterioração do funcionamento cerebral. Segundo o estudo, a solidão também interfere na pressão, nos níveis de cortisol e outros hormônios, e nos processos inflamatórios do organismo.
Não foram encontradas diferenças de sexo para o isolamento social, mas esse comportamento foi visto com maior incidência em pessoas mais velhas, casadas, pobres e com menor grau de instrução. Além disso, o problema foi mais frequente em indivíduos com alguma limitação de longo prazo, como depressão, artrite, falta de mobilidade e doença pulmonar crônica.
Já a solidão foi mais comum em mulheres, principalmente casadas, e estava associada a uma idade avançada, baixa escolaridade e menor riqueza. Essas pessoas também tinham mais depressão, doença arterial coronariana ou acidente vascular cerebral (AVC) que a média.
Na conclusão dos autores, tanto para casos de solidão quanto de isolamento social, são indicadas atividades que incentivem a interação entre os indivíduos, na tentativa de promover uma maior longevidade aos idosos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Motorista que atingiu ciclista pode ter tido crise de pânico, dizem psiquiatras


Para eles, no entanto, isso não justifica atitudes de Alex Siwek.
Ataque de pânico pode levar a atitudes irracionais e pouco coerentes.


O estudante de psicologia Alex Siwek, que atropelou o ciclista David Santos de Souza e jogou seu braço em um córrego em São Paulo, pode ter sofrido um ataque de pânico circunstancial e momentâneo, capaz de levar a atitudes irracionais e pouco coerentes, afirmaram psiquiatras.

O ataque não caracteriza um transtorno mental e pode acometer qualquer pessoa em situação de estresse extremo, como por exemplo dentro de um elevador em queda ou durante um terremoto, ressalta o psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, supervisor do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, ligado ao Hospital das Clínicas.
O psiquiatra avalia existirem principalmente dois tipos de pânico: o transtorno ou síndrome do pânico, que se caracteriza por crises frequentes de ansiedade e medo, com ou sem fatores que causem seu surgimento, e o pânico situacional, que pode acometer pessoas comuns diante de ameaças, acidentes ou catástrofes.
"Tomar uma atitude irracional em um quadro de pânico é muito comum, como reagir a um assalto, por exemplo. As pessoas às vezes tomam medidas que elas mesmas desconheceriam", pondera Mello. "São atitudes reflexas em situações críticas."
Sem justificativa

Tanto Mello quanto o psiquiatra forense Guido Palomba, no entanto, concordam que um ataque de pânico não é capaz de justificar as atitudes de Siwek. O estudante apresentava sinais de embriaguez na hora do acidente, segundo laudo do Instituto Médico Legal (IML). Testemunhas disseram ter visto o carro do jovem andando em zigue-zague na Avenida Paulista. Após atingir o ciclista, às 5h30 do domingo (10), ele deixou o local sem prestar socorro.

"Pode ser uma reação primitiva, de pânico, sim. Mas isso naturalmente não desculpa o comportamento, não justifica. Tudo isso [o pânico] pode nascer de um pensamento inicial do motorista de não socorrer", afirma Palomba. "Se ele [Siwek] tivesse socorrido, talvez ele não tivesse sofrido o pânico que sofreu. O pânico é o tributo que ele pagou, a consequência por não ter agido corretamente."
Para o psiquiatra forense, cada pessoa reage de uma maneira diante de situações extremas, mas há um comportamento comum aos casos: o estreitamento da consciência e a adoção de atitudes instintivas, feitas quase sem pensar. "Existe uma descarga de adrenalina junto com o estreitamento de consciência na hora do pânico", diz.
"Em vez de colocar a mão na cabeça e pensar: 'o que eu fiz?', a pessoa tem uma reação primitiva, insintiva de pouca crítica", ressalta Palomba, referindo-se às atitudes de Siwek - após atropelar um ciclista, ele deixou o amigo que estava no carro com ele em casa e foi à Avenida Doutor Ricardo Jafet, na Zona Sul de São Paulo, onde jogou o braço do atropelado em um córrego.
Provavelmente foi nesta condição pouco racional que o estudante de psicologia, após o atropelamento, dirigu-se a uma base da PM no Jardim da Saúde, também na Zona Sul, pedindo aos policiais para ser preso por acreditar que havia matado uma pessoa, analisa o psiquiatra forense.
Três atitudes

Mello explica que há três atitudes mais comuns diante de situações que causem pânico, como um assalto ou um acidente: paralisia, fuga ou enfrentamento. "Geralmente o enfrentamento ocorre quando você não tem opção", detalha. Para o psiquiatra, "a atitude dele [Siwek] parece ter sido de pânico e fuga".

Palomba discorda quanto à fuga. Ele acredita que, na hora do acidente, o motorista não teve pânico ou choque - este estado mental pode ter ocorrido depois, quando viu o braço preso em seu carro. Segundo o advogado de Siwek, o jovem ficou atordoado na hora do acidente e, em um primeiro momento, não viu o membro pendurado no veículo.
"Acho que a bebida alcoólica o levou a cometer esse crime de trânsito, a não ajudar o ciclista", diz o psiquiatra forense. "Se não houvesse o braço pendurado, se o carro estivesse só um pouco amassado, ficaria por isso mesmo. Tudo nasce desta cena, ali ele [Siwek] viu que o negócio era muito grave."
Imaturidade

Outra hipótese para a reação de Siwek é uma grande imaturidade, diz o especialista do Hospital das Clínicas da USP. "Uma pessoa imatura não julga estas situações de forma coerente, ela entra em pânico e acaba cometendo uma coisa pior ainda", ressalta.

Mello recorda o incêndio de Santa Maria ao falar sobre situações que causam pânico. "Em um incêndio em uma danceteria, ficar em pânico pode ser um fator de vida ou morte", reflete. O desespero pode fazer com que as pessoas se atrapalhem e não consigam sair do local em chamas.
"Em um assalto, por exemplo, o melhor é ter uma reação de paralisia do que de enfrentamento", pondera o psiquiatra.
Na opinião de Palomba, o acidente se deveu em grande parte ao uso de álcool. Ele, no entanto, considera que a bebida não deve ter influenciado a reação do motorista após o atropelamento. "Isso tudo deve ter ocorrido quando ele estava mais sóbrio", diz o psiquiatra forense.
Mello pondera que só uma análise do histórico do rapaz e uma avaliação psicológica podem dizer se o estudante sofre de algum transtorno mental. "Não se pode julgar o comportamento da pessoa de forma transversal", afirma. "Precisa ver comportamento dela na infância, a forma que evoluiu."
Como ocorreu o acidente

Na descrição da polícia, o motorista Alex Siwek estava dentro de um Honda Fit ao lado de um amigo quando o acidente ocorreu. O braço direito do ciclista foi amputado por estilhaços de vidro do pára-brisa e permaneceu preso ao veículo.

O motorista fugiu do local, deixou o amigo em casa e depois foi à Avenida Doutor Ricardo Jafet, de onde lançou o braço em um córrego. Depois, voltou à própria casa, guardou o carro na garagem e dirigiu-se a pé à unidade policial para se entregar.
O exame clínico apontou que o motorista havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente. A comanda de consumo de Alex Siwek, paga na casa noturna de onde ele saiu antes de atropelar o ciclista, mostra que ele pagou por três doses de vodca e um energético. O horário que a comanda individual de consumo foi fechada, às 6h, porém, é posterior ao horário do acidente, ocorrido às 5h30.
O advogado de Siwek, Pablo Naves Testone, afirma que o estudante de psicologia não tem antecedentes criminais e que reúne os requisitos para responder ao processo em liberdade. Diz ainda que a família do rapaz está muito assustada com a repercussão do caso e que já sofreu ameaças.
"Acharam o número da residência fixa, e ligaram falando bobagens, como a mãe e o pai educaram o menino, falando que iam matá-los." A ligação foi atendida pela mãe de Alex, que, segundo o advogado, está tomando rémedios por conta dos últimos acontecimentos. "Todos estão comovidos, sabem que foi aterrorizante, e que o menino será julgado pelo que fez, mas algumas pessoas estão exagerando."
O estudante foi transferido para o Centro de Detenção Provisória 3 de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, na terça-feira (12). Ele estava no CDP 2 do Belém, na Zona Leste, desde segunda (11). Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), Siwek ficará em regime de observação, sem contato com os outros presidiários, para se adaptar ao regime carcerário. Durante o período, ele só poderá receber visita de seus advogados.